Sonhei com a Bailarina



(…) A bailarina da morte levou meu coração para seu abismo, transformou sua dor em minha dor. Teus pés tocavam o chão como pluma, era lindo de se ver. Peguei-lhe pelos dedos, não tinha medo. Ao contrário, queria tocá-la, senti-la, tê-la para mim para desfrutar de todo seu esplendor. Era doce, tão meiga... até que tocou em mim, transformando minhas veias em icebergs. Gostava daquela dor, era diferente, não queimava. Era de certa forma, a dor ideal para mim.
Teus olhos eram negro feito breu, sua pele era macia e branca feito a neve, teus cabelos eram rosa. Tuas palavras saiam como um sussurro, tinha a mais perfeita ternura que se possa imaginar. Tinha rosas vermelhas pelo caminho, acidentalmente cai em cima de seus espinhos.  Furando-me. O corpo dela começou a sangrar no mesmo segundo que o meu. Seu sangue era preto, e escorria devagar. Tive vontade de levantar, de fazê-la parar de sangrar, queria protegê-la. Podia ver nitidamente, ela me olhando com um sorriso na cara.

- Não se preocupe, oh meu amor. Sua dor também é minha. Aproximou  sua mão ao próprio coração,  e numa fração de segundos, num pestanejar de olhos, arrancou-o. Me tirou dos espinhos, entregando-me seu coração. Eu tirei o meu, e caí no chão, sem vida. Eu acordei, sentindo outro coração bater em mim. E o meu, reconheci os batimentos a meio metro de mim, lá, dentro dela. Não eram os meus sentimentos, eram os dela. Eram confusos, turbulentos. Eram intensos, frágeis, como os meus. Ah, minha doce bailarina da morte. Eu morri sem ao menos perceber. Era tão fácil morrer com ela. Morrer não doía, não mais.
 - Sóis sua morte, seu doce suicídio, sua alegria. Proteja-me, e me guarde em seu pensamento. Disse. Dançamos a dança da morte em perfeita sincronia. (…)

E então abri os olhos. Desorientada. Olhando para o canto, sentindo o frio congelante das 02h da madrugada. Minha janela estava aberta. Meu espelho refletia um vulto, que se foi assim que tentei me aproximar. Saiu pela minha janela. Olhei para fora. A Lua estava maior, mais perto da Terra, e então vi uma estrela preta. Era a que mais iluminava o céu. Meu céu. Essa estrela era diferente, ouvia seus batimentos. Conheci de repente. Eram meus batimentos. Altos e instáveis. Apaixonados e congelados. Lá no céu o meu coração batia na mais bela estrela. Fiquei olhando a estrela até ela desaparecer do céu, tendo a certeza que ela iria me visitar mais uma vez, iria deixar meu céu mais brilhante com a sua luz preta tão desconhecida. Sabendo que era minha aquela estrela, e para sempre seria. E eu para sempre seria dela. 

Para sempre lhe guardarei, minha doce bailarina da morte.

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