Como uma flor




Só, tão só. As sós vendo o pôr-do-sol. Pergunto então: Violeta, diz pra mim o que fazer.
Violeta se esconde apavorada.

- Não, não tenha medo. Só vou te machucar um pouquinho. Só um pouquinho.

Arranco suas pétalas. Bem-não-me-quer. Mal-muito-me-quer.
Piso em cima de seu cadáver. Desfazendo-a.

- Olha, olha. Isso é dor, pode sentir? Grite, grite.

Violeta morreu olhando pra orquídea. Orquídea chora. Nunca para.
E eu sorrio. E vou à frente. Não há como seguir em frente, ser forte, sem ninguém pagar.

Alguém tem que pagar.

Eu paguei as contas de Janeiro, Fevereiro, Março, até o ano acabar e começar outro no lugar. Isso desde anos atrás.
Entendam. Entendam-me. Eu vivo e morro ao mesmo tempo. E alguém um dia vai ter que pagar por isso. Não faz sentido, faz sentido. Só entendam que eu sempre vou amar o mesmo nada.

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