Prolixes désire



Era uma noite de chuva. Um domingo. Conversávamos. Estava encostada num carro.
- Posso deitar no seu colo?
- Pode.
Deitei-me, então. Mais algumas palavras. E então, sem eu dizer nada, você começou a acariciar meus cabelos. Queria não demonstrar como me sentia quando tocava em mim. Sentia-me extraordinária, não sei explicar. Um arrepio correu pela minha espinha. Tomara que ele não esteja olhando pro meu rosto, pensei. Sentia brilho em meus olhos congelados. Sentia algo derreter dentro de mim.
Eu queria poder estender minha mão, acariciar teu rosto. Eu queria poder encostar meus lábios nos seus. Roçar meu nariz gelado em teu pescoço. Queria te abraçar, sabendo que era meu. Você era meu. Pertencia-me.
O único som que ouvia era a chuva caindo no telhado da garagem. Era como se pudesse ouvir meu coração, mais o batimento não vinha de mim. Vinha de você. “Eu sinto no seu peito, o meu coração bater” Isso explica.
Naquele momento, mais em que outros, foi difícil me controlar. Ainda mais quando olhei em teus olhos. Era como se perdesse o fio. Como se cada célula começasse a se multiplicar.
Naquele momento, raro, nós dois as sós. Sem ninguém. Eu e você. Desejei que me pertencesse mais que em todos os anos que te amei.
Desejei que você me amasse. Desejei poder ter coragem de te olhar, sem me reprimir, sem medo. Desejei de tocar, te chamar de meu. Foram tantos os desejos.

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