Un bref dialogue




Era inverno. A neve cobria o chão como um véu. Ela estava lá. 
Seus dedos trêmulos tocaram minha face. Seus olhos pareciam espelhos. 

- Você acredita?
- Nem sempre. 
- Acha que não vale à pena?
- Sim e não.
- Eu quero uma resposta. Não um enigma.

(Silêncio)

- O romance morreu. Fora e dentro de mim.
- Não sente?
- Não. Nem lembro como é.
- Mas..
- Mas..

(Silêncio)

- Nunca vai mudar de opinião?
- Nunca é muito tempo. Nunca não existe, assim como o para sempre. Talvez um dia. Sim, talvez um dia.
- Queria que estivesse perto.

(Silêncio)

- Por que faz isso? Você nem ao menos me conhece.
- Estranhos amam.
- Está supondo que gosta de mim?

(Silêncio)

- Viu? O silêncio é o que sempre vou ouvir quando perguntar sobre amor.
- Eu.. E-e-u.. Eu amo você. 
- Mas, por quê? O que te levou a me amar? 
- Tudo.
- Desculpe, não posso. Meu coração enferrujou com o tempo, virou metal por fora, e por dentro.. Os vermes comeram. Apodreceu como lixo orgânico. 
Mas.. Não chore, não chore. Sou eu que devia chorar, por ser incapaz. Incapaz de amar. 

(Silêncio)

Eu queria dizer a ela. Eu necessitava.
Mas, não. Essa fora minha decisão. Não amar. Não sentir. Não sofrer. Não viver.
Eu tinha medo. E deixei-a ir. Escapar dos meus dedos.
Deixei-a ir.. Sabendo que um dia ela iria me esquecer, e outro iria tomar o meu lugar. Deixei-a ir por medo de amar, por medo de minha imperfeição estragasse tudo.

- Ela se foi. Se foi.

As mesmas palavras ecoavam por dentro de mim, já que tudo era oco.

Vazio- vazio- vazio-vazio.

Não sentia dor. Não, dor não. Ela se foi. Assim como meu amor.

Se foi. 




She's gone. She went away with my heart. 

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