Irredutível, irreal, irregular.





Nos teus olhos, vejo medo.
Palavras escondidas por baixo de seu véu fúnebre.

Sua frágil pele não aguenta o peso de tanta dor.
Carrega teu fardo, mas deixa resquícios.

Repousa tua mão na dele, sem se importar.
Nunca irá haver. 

Deixa fingir. Mentiras revestem-na.
Há caminhos que nem a dor pode suportar.

Caminhos estes que passou.
Sofreu, chorou.

Colhe amargas flores. 
Espinhos-navalhas.

Inconsciente mais uma vez.

Pois então, rebobine.
Veja com teus olhos essa história.

Nesse recinto escuro, já viu a morte repetidas vezes.
Ela a olhou com ar de pena. 

Seu lado ninguém conheceu.
Nunca teve chances.

Desde pequena sempre morreu. 
Nesse demasiar de esperança. 

Teu corpo pede calor. 
Precisa-se de um amante, amor. Que seja.

Prolapso. 
Desafia a matéria.

És feita de desamores.
Antiquadas roupas, fumaças de cigarro e livros surrados de poesia.

Costumam falar que é como um museu.
Guarda tudo em sua mente.

Por isso tantas mágoas.
Nunca resolvidas. 

Se fosse se reconstituir em todas suas partes, 
Teria que voltar todo o relógio. Anos e anos.

Não a entendam mal.
Só é difícil viver em compasso de espera por algo que não vem. 

Não há substitutos. 
A procura é inútil.

Só há um.
Dois.

Viver é complexo.
Dramatiza tudo e todos.
Parece novela mexicana.

Mas o gosto do drama a fascina.

Esconde-se. Esconde.
Achem-na.

(...)

- Olá, estranho.
- Olá, estranha. 
(Silêncio)
- Aceitaria um cigarro? 
- Sim, obrigada. 
(Silêncio)
- Como és teu nome?
- Fragilidade. E o seu?
- Inocência.
- Combinamos.
- Combinamos.
(Silêncio)

A dor então chegou, adoecendo a fragilidade a inocência que havia entre os dois. 
Levou-os. 
Preze teus bens mais preciosos, não deixem-nos se esvair.
Não fiquem como eu.
Não parem de lutar.
Não parem.

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