Fleur doce Fleur

Flor,
Flor mais frágil do jardim sou eu,
Não me toques, poderia quebrar.
Não me olhe, poderei fitar.
Não me ame, poderia amar.
Não me mate, poderia sangrar.

(...)

Prazer, mon nom est Fleur
Vermelha.
Intocada.
No meio do jardim chorava.

Menina não chore.
Dores podem ser controladas.

- Podes não. Meu destino está na dor.
Minha maldição por querer tocá-la,
Por querê-la.
Virei flor sem amor,
Virei dor sem louvor,
Virei pó sem dó.

Sua brancura - estava translúcida - fazia contraste,
Com suas maças enrubescidas pelo choro.
Com seus olhos marejados e manchados de preto.
Azuis como o céu
Tão vastos como tal
Tão claros que poderia ver a alma
Sua alma escurecia assim como o tempo,
Tempo inconstante
Com marés de lágrimas pretas.

Teu perfume inebriante encantava. Ah, que cheiro.
Era doce feito flor,
O perfume dessa flor.

Campo tão belo
Gramas aparadas
Campo este que deixaste Flor
Sozinha
Desamparada
Sem ninguém.

Ninguém pra fingir,
Ninguém pra sorri,
Ninguém pra chorar.

Contar-te-ei o motivo da dor de Flor:
Ela parte, e parte teu coração.
Ela mente, e parte teu coração
Ela não ama, e parte teu coração
Insensível e sem coração.

Coração apunhalado
Tão triste e obsoleto
Mostre seus rasgos
Tuas marcas

Teus membros amputados
Tuas dores incomuns
Teus vazios excruciantes

Conheceu achando que conhecia,
Não conhecia.

Não sabia,
Não imaginava,
Nem se quer pensava,
Que os espinhos inexistentes iriam te fazer sangrar,
Em noites de inverno chorar

Ela só queria,
Só queria
Sonhava
Imaginava
Pedia
Desejava que estivesse aqui.

Que estivesse com a mesma,
Que viesse,
Que compartilhasse,
Que amasse.

Mentiu
Iludiu
Traiu

Destruiu
Derreteu
Apodreceu
Nosso amor morreu.

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