Dosagem de morfina




E então, o que devo fazer? Eu olho ao meu redor, e tudo que vejo é o caos me consumindo - nos consumindo. Caos, tormenta. Noites de hostilidade.
Não pensas? Sabe quantas noites passei em branco chorando por você, maldita? E tudo que me dá sua mera parasita é seu veneno. Seu veneno, ah, sim. Por cada ferida aberta, sangue escorrido, você haverá de pagar. Com sua própria carne, crua e nua. Mate-me, pois tudo que podes fazer é isso.
Quando disse que não, nem ao menos deu adeus. Minha droga. Minha droga. Eu preciso de uma dose. Uma dose, agora. Um pouco de você em minhas veias. És na maioria das vezes. Não, não és. Preciso esquecer. Necessito esquecer. Ando precisando de uma overdose de morfina, pois a dor que me infligiu, causou grandes problemas na minha mente.
Tornou amargo o mais doce. Mate-me. Não haverá saída.
Insana, maldita vida insana - amor, insanamente, amo - cale-se de uma vez por todas.
Amor morreu. Pobre, podre, nojento, como os vermes comendo um cadáver grotesco.
Roeu, corroeu.
Ando perdendo minha humanidade e vivendo de saudade.
Breves e longas palpitações. Ah, coração. Apunhalaram-te mais uma vez. Vê se te cuida, vê se te cuida.
Do precipício, apenas via teu sorriso. Tu magoas por onde passa guria. Milhares de corações doentes por suas mãos, ceifados.
Sinto rancor, minhas entranhas queimam; você ainda dói.
Digo sempre a beira de lágrimas: Desejo-te dor. Desejo a doença que tenho por você. Você vai lembrar, você vai lembrar.

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