Vamos remar.

  

Veja meu bem, 
Tudo que planejei 
Para seu  bem.

Comprei uma casa nas montanhas
Que é pra gente se amar
Só prometa que não vai me deixar.

Quero encher essa casa de sorrisos e de tulipas,
De você, de você.
De proles suas no meu ventre.

Pra onde quer que olhe,
Quero ver teus olhos verdes a me fitar.

De teus beijos irresistíveis, 
Teus lábios grossos,
Teus cabelos,
Tua barba mal-feita,
De teu abraço
 não quero sair.

Quero eu, você. Nós.
Cigarros, conhaque, e amor.

Quero você na sala,
No quarto,
Na cozinha,
Na varanda.

Pra me cortejar como num filme de época.
Ah, meu bem, és tudo que quero.

Quero teu corpo no meu, meu corpo no seu.
Quero fazer amor até o sol raiar.

Quero ouvir tua voz
Chamando-me de meu amor.
Quero o que é meu.

O que é seu está guardado.
Debaixo da minha pele,
Bem no meio,
Bem lá no meio.

Quero minhas maçãs enrubescidas,
Quando falar que sou a coisa que mais quer no mundo.

Quero poder segurar na sua mão, 
Olhar em teus olhos,
Tocar-te.
Tocar-te lá dentro,
Lá dentro de teu coração gelado.

Eu sei o que sentes,
Eu entendo você. 

Somos dois amargurados,
Mais temos um ao outro.

O amor,
Ele passa por cima.
Passa por cima de tudo isso.
Vamos ser felizes.

Eu te amo.
Não.
Eu te amo mesmo.
Não da boca pra fora.
É amor, é amor.
Completo, imortal, irreal.

Vamos fazer um jardim,
E rolar na grama feito criança,
E sorrirei a cada segundo.

E esperarei ansiosa e esperançosa quando for ao trabalho,
E chorarei ao lembrar quando tempo nos foi tirado,
E me alegrarei por te ter. 

E quando chegar em casa,
Eu irei lhe dar um abraço,
E falar que
Sem você
Eu não vivo, guri.

E quando Setembro chegar, 
Irei pra cozinha,
Tentar fazer um bolo, 
Mas sem sucesso.

E irei lhe perguntar:
- Posso me dar de aniversário?
E tu irás responder:
- E haverá presente melhor?

E irei me alinhar em teus braços,
Sentada no sofá que acabamos de comprar.

Nossa vida está começando,
Estamos vivendo por viver.

E tu terás que apagar a luzes, 
E me dar à mão
Pois me perderei sem você.
Ou poderei cair,
E você irá rir.

Acordarei ao teu lado,
Ai, ao teu ladinho.
Poderei acariciar teu rosto, 
E pensarei:
''Como é bom te ter. ''

E semana que vem vamos pegar o meu piano na casa de minha mãe,
Pois tu me adoras tocando pra ti.
Acha-me doce e meiga. 

E na sinfonia,
Lembrarei,
Lembrarei do quanto esperei.
 E do quanto isso valeu a pena.
E meus olhos marejados,
Refletirão na melodia,
Que fiz pra ti.

E quando fizer frio, 
Trago-te um café,
Um cobertor,
E me trago.
 Pra me esquentar,
Pra me amar,
Pra me fazer delirar.

E ao crepúsculo,
Irei para perto das montanhas,
Na margem do lago,
Pegarei minha toalha de piquenique e colocarei embaixo da árvore.
E irei contemplar teu semblante,
Teu ser olhando o horizonte. 
Você irá sorrir de canto ao ver que olho para você.

Sairei correndo para dentro de casa,
Pegarei um livro surrado de poesia, um CD do Bob Dylan e um pequeno rádio,
Voltarei com um sorriso estampado.

E farei cara de criança birrenta ao ficar esperando me pegar pelos dedos,
E tu irás rir por que achou minha cara engraçada,
E dirá que parecia um morango,
De tão vermelha.

E virá,
E me olhará intensamente,
Fazendo-me derreter. 
Pegará meus dedos,
E irá entrelaçá-los.
E dançaremos. 
E nosso reflexo ficará na águas claras do lago.
 E na nossa memória,
e no nosso coração,
jamais acabará.

 P.S E se isso for sonho, faça o favor de não me acordar.

Para Leonardo Marinelli.

Comentários

  1. Moça, devo dizer que gostei bastante do seu cantinho. Atentei mais à essa poesia e também devo dizer que adorei. Ficou tão incomum, antiga e bela. Há poesias que são de carne e senti aqui uma alma.

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