Mas, por que não você?



 
 -Não solte minha mão, onde eu for irá junto. Não se preocupe, já estive aqui. Não se preocupe, irei protegê-la desse frio constante. Fique comigo. Não ouse pensar em ir embora. Fique comigo. Não vá.

(...)

Elevador: Ao alto. Apartamento, 505.

Eu entrei e você não estava. Estava em outras nuvens. Em outros céus. Em outro coração. Porque não no meu? Mas, por que!
Deitei-me na cama de lençóis floridos. Pensei e pensei. Estava ficando louca? Em tese. Precisava de corpos, de calor, sobretudo toques. Flores, toques, ternura, eterna. Você, você, você.
Solidão enlouquece. Solidão adormece. Solidão apodrece as doçuras. Desbota.
Sei tuas ferocidades, menina das flores. Por onde passa trás cor. Mas, por que não pra mim?
Encontro-te nesses quadros moldados, te encontro nos campos. E no coração. Mas, por que não te encontras ao meu lado?
Primavera se foi. Outono se foi. E eu aqui, ainda vivendo no Inverno.
E a dor é a primeira a entrar por essa porta. Mas, por que não entra você?
Te traz pra mim. Suplico-lhe. Traga-te pra mim.

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