O coração da Jude


Durante um tempo cresceu.
Depois de um tempo morreu.

Foi tanto que pereceu,
No véu fúnebre da morte.
(Morreu dentro do coração)

A gente pensou que floresceu,
Mas amadureceu
Na amargura.

Vazio estás,
De carinho precisas.

Pobre por dentro,
Podre por fora. 

Eis que ele se pronuncia,
num diálogo um tanto curto
e diz: ''Só preciso de alguém pra cuidar de mim''.

E eis o amado,
mais que lisonjeiro,
cantou pra ele:
''Hey Jude, don't make it bad..''

(...)

 Jude chegou a seu apartamento depois de pegar uma nevasca daquelas. Estava tão frio que teus pelos se eriçaram, sua pele ficou translúcida. Tirou sua chave de dentro de seu sobretudo, colocou-a na fechadura e a abriu. Entrou, fechou a porta, pendurou o casaco, mas antes tirou seu maço de cigarros, tirou um e colocou em sua boca. Com a outra mão caçou o isqueiro dentro de um dos bolsos, mas que má sorte, ele havia sumido. Caminhou até a cozinha, e acendeu-o no fogão. Após esse ato, voltou a sala a fim de pegar seu cinzeiro. Jude era poeta, gostava de escrever o que sentia. Assim, ficava menos pesada. O papel era tua casa, ar. Sentou em sua poltrona, percorreu os olhos pelos quatro cantos da sala e pensou: ''Aqui é sempre vazio e frio.''
Levantou e foi direto a sua vitrola e colocou teu disco favorito. Queria se sentir bem. Então começou a cantar ''Hey Jude''. Não havia ninguém para cantar, a não ser ela e o cantor. Apesar de ser a voz de seu cantor favorito, o vazio a inquietava.
O telefone tocou, mas ora, era engano. Ela se sentou novamente, ansiosa. Mas o que esperava?
Alguém entende esse coração? Com essas emoções amplificadas, haverá alguém que irá querê-la?
Decidiu fazer um poema para si própria, já que ninguém o fazia. E escreveu.

(....)    Hey, Jude!
          Não fique triste.
          Noutras estrelas,
          Tu irá encontrar. 

          Não se declare morta,
          Antes do tempo. 
          Tu tens muito pra viver, guria. 
          Sacode. 

          Uma hora ou outra
          Alguém lhe oferecerá a mão 
          Para ser teu par. 

          Não deixe que teu medo,
          E essa morte constante 
          Encubra tua beleza inocente. 

          Teus vastos cabelos ruivos, 
          Tuas feições inocentes,
          Sua fragilidade,
          Um dia irá encantar alguém.

          Só espere
          E veja florescer. (...)


E esse coração, quem entende? Quem poderá consertá-lo?

Comentários

Postagens mais visitadas