Doces são amargos



Caro Amor (Solidão, Dor, Ele)

Primeiramente queria lhes desejar uma bonne nuit, e lá vamos nós ao melodrama.  Contemple meu vazio, tudo está tão oco e vazio, e meus passos ecoam nesse abismo sem fim.  Contemple minha dor, e veja o que me causa. Contemple as cinzas do que se sobrou do que um dia foi uma doce flor. Escrevi-lhe, pois queria dizer-lhe umas coisas que me sufocam todas as noites.  Há tempos me encontro perdida por dentro, sem respostas, nem caminhos a seguir. Prevalece o silêncio.
Ah, minha amiga solidão. Só você está ao meu lado em todos os momentos. Você é meu refúgio e minha maldição. Você é tudo o que eu quero e tudo o que eu odeio. Mas odeio mais o destino, esse maldito, que me une a você.  Não a ele.
Devolva-me. Devolva-me meu coração. Não desejo mais ser oca, quero me preencher – me preencher de amor - dele.  Devolva-me. Devolva-me tudo que me tirou.
Maldito também és o amor, esse que me tirou tudo - arrancou-me sem dó - todos os meus pedaços.  Demoliu minha esperança e inocência, fazendo-me ver o mundo de uma forma que nunca quis ver. Oh, como lhes odeio. Impiedosos. Cruéis.
Olhem para mim, olhem como estou.  Aqui, sozinha, esperando sem escrúpulos o nada. Para ser sincera, esperando-o. Mas ele não vem. Ele nunca vem.  E sabes de quem falo aquele rapaz de barba grande e olhos verdes que te balança.
Darei-lhes um resumo dessa minha vida: Monótona. Sento no sofá e repenso – múltiplas vezes – em motivos de viver.  Olhem em meus olhos novamente. Tudo se esvaiu – o brilho, ternura, doçura – minha alma, ele roubou.
Por favor, minhas caras, me ajudem. Peçam pra ele que me devolva. Traga-me a vida, suplico-lhes, suplico-lhes pela a vida.
Porque o amo?  Talvez não haja resposta, que seja um segredo como aqueles que nunca terão explicação.  Mas não é sempre assim, Amor? Você não tem resposta, vê o primeiro que passa a frente e já se encanta.
Sei que está dentro de mim, pois é a única coisa que ainda tenho. Então me escute, me dê uma ajuda. Meu coração bate por um fio, está tão esfarrapado e fatigado que não sabe ao certo o que fazer.  Enrolei gases nele inteiro pra ninguém ver, como estava, e qual o seu estado. Crítico se quer saber.
E assim pereço aqui, a cada dia. Vou dormir com a garganta arranhando, com um monstro detonando com dinamite tudo dentro de mim.
Você não pode ver, não é? Você só vê beleza.  E a Dor te contradiz. E traz a Solidão. Um paradoxo, uma cadeia alimentar, uma reação em cadeia.
Até tento disfarçar, se querem saber. Por fora uma muralha, por dentro um desastre.
E os dias passam tão tristes. A insônia só me deixa, depois de ler um bom livro, e às vezes escondido choro um bocado.
Para aquele guri já ofereci tudo.  Não tenho mais nada, estou vazia, com dor e fatigada dessa constante dilaceração.  Queria esquecer-se de tudo, queria esquecê-lo.
Sabe, meu caro Amor, queria que se coopera um pouco. Dê-me uma força, ou me dê ele. É meu desejo.  Inigualável, indescritível, incondicional, profundo, desesperado…
E esses doces tão amargos, são os corações despedaçados.

Esse texto foi escrito em 2010. 

Comentários

Postagens mais visitadas