Um amor floresce no bairro dos sofredores.




E os olhos se fecham, as cartas passam pelo vão da porta, o tempo voa como o vento, os resquícios se vão, o poeta despeja tuas palavras vazias no caderno enquanto a jovem que ama mais que é possível toca suas doces notas no piano. Os pensamentos vem, e a dor vem como um tiro logo depois. Ninguém é feliz nesse bairro de sofredores. E a florista só lágrimas. Superficial.
O cigarro está queimando no cinzeiro. Lá fora pássaros fogem do inverno congelante. Lá dentro o café que está no bule está se aquecendo - mas, oras, ele está no fogo. Ás arvores estão desprovidas. Cadê as flores para enfeitar o jardim? Mas, que, jardim? Foi encoberto pela neve. 
O poeta é ambivalente e a  jovem pensa em se casar.  Ele é todo meio-termo e ela tem tudo por completo.
O poeta é tristonho e a a jovem chega a apagar a luz ofuscante do sol com teu sorriso, o quanto é lindo.
Ele é sem cor e ela tem olhos da cor do mel, e teus cabelos são ruivos. O poeta sempre sofre e a jovem, mais veja bem, nem todo mundo é tão feliz, ela tem suas lágrimas. O poeta está aprisionado na dor e a jovem está aprisionada na incerteza de felicidade. Ele sempre está só, cabisbaixo,  num canto fumando seu cigarro e a jovem vai a cafeteria e vê que não há ninguém para sentar com sua pessoa.
Os dois se olham. Uma alma solitária é capaz de capitar quando está perto d'outra? Penso que sim, aliás, o poeta estava se corroendo. Ambos se conheceram na feira, comprando espinafres na mesma barraca, e desde aquele dia, o poeta vinha pensando no quão a menina ruivinha era encantadora. 
Ela estava tão só, e ele estava tão só. A sós, sóu.
Vejamos o exemplo de pessoa que é essa guria: Ela sorri, deixa contente todos ao redor, abafa dores, cura os desamores de outros. E dela? Quem cuida?
E agora o poeta: É triste, louco. Já mencionei triste? Sim? Oras, digo novamente.
Se pensarmos por um lado geral, ambos repartem as dores.
Um é d'outro.

(...)

- Excusez-moi, manquer... Você deixou cair seu alámo-branco. Disse o poeta depois de correr um distância bem longa para chegar a moça ruivinha.
- Ora, merci, merci.
- Sabes o significado dele?
- Tempo. 

(...)

E o tempo passou, foram tantos os encontros, partilharam seus amores e ternuras. Desde verduras até as plantas, depois passou as flores e as rosas vermelhas. Do amargo para o doce. O reencontro da era vitoriana. Os significados. Cousa linda de se ver. Se afeiçoaram, se amaram.

(...)

- Pega carona nos peixes, eles são livres, seja também. Ame, mas não desmanche. Não desbota a cor, desses olhos castanhos com mel, desses cabelos ruivos, eu a amo. Só olhe para o lado, e depois feche os olhos, você irá sentir. O amor vai vir.
E assim, permaneceu. Um sendo a tulipa d'outro. Aliás, era Paris, a cidade do amor. Flor sempre rima com amor.

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