.... Poderíamos enfeitar os domingos




Tão ameno
tão inconstante
tão irreal.

(...)

Esperou-o na
estação de trem
tremia, pois o
frio era demais.
mas ele não
vinha
e ela adoeceu
no pesar.

Esperar-te-ei
até que a chuva passe
disse a moça
ruivinha
e a chuva passou
e ele não
voltou 
(mas ele nunca
veio)

Arruma
diálogos 
para no final
desperdiçar com
o nada.

E ela sempre
quis dizer
e isso a corrói
arruma o cabelo
passa batom
enfeita-se de
flor
que é pra ver se
desperta 
amor.

Mas ele
nunca
vem.

E a posse de bravura
des-
manchou
sobrando apenas as lágrimas
que começaram a brotar no canto dos olhos.

Acendeu um cigarro
limpou as lágrimas do rosto
e pôs-se a esperar
e ele nunca vem
e ela se cansou de esperar.

Será que se ele viesse,
a iria notar?

Poderiam enfeitar os domingos
plantar árvores pelo quintal
ir ao cinema

Traça o caminho até o café
mas nem esse 
a aquece.

Pois o frio
se apossou
de seu interior.

Pois a estação fica
tão fria sem o olhar do rapaz. 

E ela queria vê-lo
pra dizer...
diz qu'eu não estou sozinha
me pega pela mão e me leva
pra conhecer teu mundo
e me faz teu aconchego.

Por trás do silêncio
há fragilidade
e um amor que cresce
sem permissão.

Agora tenta apagar o rosto
o cheiro
o toque
e guarda entre as entranhas
um amor que estava prestes a nascer.

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