Bye bye blackbird






A vida não tem substância
A cor não tem mais vida
A vida não tem mais cor
Tudo se amontoa numa estante
De histórias tristes de amor.

(...)

Eu gostava de quando você sorria

de como eu queria sorrir porque tu estavas sorrindo

teu sorriso me contagiava tanto que não cabia em mim.


Agora tu me abandonaste para sempre

sozinha na fila de espera da felicidade

e eu, passarinho, quis tanto voar

e fui de encontro ao chão

me esmagando na contramão.


E eu, passarinho, saí da gaiola

mas logo quis voltar

pois agora não tenho 

nada para chamar de lar.


Você era meu lar,

infinito é a medida do pranto

você era meu ar

onde tu escondes teu encanto

és modelado perfeitamente

para meu amar.


Cresci em teus olhos

verdes 

nasci em anos passados

sendo tão triste

quanto você.


Meu coração se expandiu tanto,

e agora tenta voltar ao lugar

sem sucesso.


Nunca vai haver

alguém que me faça 

sentir o que eu sinto.


Também se extinguiu a força

a capacidade de continuar

não vejo um palmo a minha frente

e não posso voltar.


Minha visão ficou turva

quando as possibilidades se esvaíram

e eu percebi o quanto

minhas certezas mentiram.


Eu juro, eu quis morrer

me atirar em frente a um carro

só pra você me salvar.


Eu juro, eu nunca amarei mais

alguém como te amo,

nunca mais vou amar.


Incompleta,

o amor perdido

me fez tola

A esperança
toda
perdida.


Mente dispersa;
não me sinto mais em mim

(eu não moro mais em mim)


Eu te quis tanto
E dói tanto

Ter que desistir

Por impossibilidades.


Não poder te ter

Quando minha palavra favorita

Sempre será ‘’nós’’.


Eu, passarinho, 
tão frágil, tão tola
com pedaços
esmagados pelos cantos
dou um último suspiro
antes da morte me buscar
triste é o meu cantar
na noite sem fim
no desespero de sair de mim
e nunca mais voltar.

Comentários

  1. Seria você uma Alvares de Azevedo?
    Percebi na tua poesia uns traços dos escritos do nosso renomado romancista do ultra-amor, das dores, das desilusões, das mortes como melhor escolha por falta de soluções...
    Belo texto.

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  2. Nunca parei pra pensar nisso... Uau. Bom, uma Alvares não tão boa. Hahaha. Obrigado por ler, por comentar. Fico feliz que gostou.

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