Meu amor, meu doce deletério



''Não sei por que
achou ser de um outro rapaz
Foi capaz de se entregar...
Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim
Mas mesmo assim... ''

Eu ainda sou nós. Em tempo indefinido de não ser nunca mais. Em tempo de tomar as rédeas e jogar fora a flor que me deste. Em trocar memórias por uma cachaça qualquer. Mas não é bem assim que funciona, xerife... A coisa tá feia aqui dentro.  Nem cachaça nem um maço de Marlboro Light tá reparando.  
Minhas lágrimas já alagaram o condomínio inteiro, até a árvore que tinha as flores que eu gostava de fotografar. Afogou a balança que tinha nossos nomes, um ao lado do outro. Afogou o banquinho do abacateiro, afogou o campo de futebol, onde nos conhecemos. Afogou o banquinho do seu bloco - onde eu passava todas as noites, e ficava a lembrar de quando tu moravas lá. Só não afogou as memórias, elas ainda boiam, elas são um submarino impenetrável. 

Não afogou a memória da primeira vez que teus lábios se uniram aos meus. Não afogou as memórias de lágrimas caindo na areia do parquinho. Não afogou a vontade de te abraçar, te cuidar, te mimar. Beijar tua testa, tuas maçãs do rosto, teu nariz, tua boca. De ficar passando a mão na tua barba. De olhar bem dentro da tua alma e abraça-la, repará-la. De te olhar, só ficar te olhando, dormir olhando para teus olhos verdes e acordar olhando para os mesmos. De você reclamando da minha aleatoriedade. 
Não afogaram os sonhos, os planos. A casa no campo, minha prole com teus olhos, noites no sereno. Noites de amor brando. De ouvir Placebo a tarde inteira, de te comprar uma máquina de escrever e reservar um quarto para nossos desabafos. De te ver feliz, de te ver auto-realizado. 

Talvez seja egoísta, mas eu queria tanto estar ao seu lado quando isso acontecesse. Queria ver teu sorriso todos os dias. Teu sorriso preguiçoso, tímido. 
Queria te olhar todos os dias quando acordo, para ter uma razão para encarar o mundo lá fora. Tu sabes que sem você eu não sou nada, guri. Eu sou frágil, eu não me sustento. É tudo tão hostil, eu não consigo. Meu conforto está em teus braços. Me aconchega nesses dias de sombras.  

E hoje, eu só queria ter parado no ponto da praça em frente a tua casa, pra te dizer que: Eu ainda sou nós. E eu sempre vou ser nós. Desculpa, mas tu és a única coisa que eu conheço por amor. Amor real. Amor de verdade, nada de romance bobo. Você é meu doce príncipe... 

Você é o único...
Você é o único
Você é o único.
O único...
O únic...

Desculpa se, por fraqueza, eu não consiga aguentar o peso do mundo e acabe logo com isso de uma vez. É muito pesado, é muito vazio, é muito... Sei lá. 

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