A Culpa é da Lua Minguante





Querida Lua Cheia,
Porque não aparecestes hoje?
Logo nesse dia de lembrar-se de outras épocas
de um tempo mais ameno,
de um tempo de paixão recíproca,
dela.

Faz meses que eu não a vejo,
e a saudade estrangula o coração
aquela dor sem piedade
sem perdão.

Lembro-me dos dias de abril
dos dias de junho
do beijo quase dado
dos olhares que penetravam dento da alma.

Ah, Bailarina
minha linda
minha vida
minha sina.
(a de todos)

Chegue mais perto
venha visitar minha rua
pois não aguento mais ver tu feita de nuvens na Lua,
quero-te próxima
pode entrar pela janela.

Junte-se a mim para deleitar de memórias
cole teu corpo ao meu, e uma vez só
não dance, não me beije,
só fique ao meu lado.

Não me olhe,
não me ame,
não me abrace.
Apenas fique quieta,
enquanto acaricio tua clavícula.

Lembro-me das noites de amor
de você dançando no meio do salão
e depois indo embora
trazendo toda a dor,
à tona.

Hoje é aquele dia do ano de novo,
e tu deve estar na Lua
que dessa vez não está cheia
observando-me, mas é tão injusto
tu estar lá e não aqui.

Dar-te-ei todas as vidas,
só para que tu venhas
enfeitar a minha
mas se isso acontecer
não terei nenhuma
e irei me unir a você
nesse teu lugar fúnebre,
porventura,
nas nuvens dos complexos,
solitários, melancólicos
dias de Março.

Tua árvore floresceu,
e tu não apareceste,
meu amor.

Eu só vejo os fantasmas
enquanto a lâmina lambe minha pele
eu vejo tua sombra,
mas não consigo alcança-la
pois não tenho coragem de acabar logo com isso.
(Já não me resta nada)

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