II


Te olho como alheia,
como estranha
lá de cima
lá de onde estiver.

Acaricio seu rosto, suavemente
toco teus lábios, beijo tuas pálpebras
sussurro-te ao pé do ouvido
tudo que guardei, ah,
eu digo sim.

Chamo-te pra dançar,
mas só lhe peço
não me olhe dançar
não olhe pra o exterior, por favor,
tente me enxergar como te enxergo,
como se estivesse lá dentro,
conhecendo teus mais obscuros
segredos.

Não me olhe quando me apaixonar,
pois sei que vou continuar sozinha
na estrada dos desamores, amour
da pilha de cadáveres chamada esperança.

Me traga.
me traga de volta.
me joga no mundo, mas
me manda embora.

Eu quero partir, ir
para algum lugar
com a vista
para o mar.

Pegar no sono,
na rede ao pôr do sol
e nunca mais lembrar.

Eu sou um soneto
inacabado
por todo tempo em que
você viver.
(E não me ver)

Avulsa, no canto
Recitando
Esperando.

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