Ode on Melancholy II





Havia uma menina sentada
no banco da praça.

O que ela fazia lá

ninguém sabia.


Só sei que nesses dias

sempre fazia frio

e perto da praça

tinha um rio

e ele sempre alagava o bairro. 


Ela sempre olhava

pra onde, não me pergunte

não sei responder.

O mistério daquela menina

perdurou tantos anos

e ninguém nunca se esqueceu. 


A praça ficava tão melancólica

quando ela estava lá

até os pássaros piavam baixinho.

Eu nunca soube o que aquela moça sentia

acho que ela deve ter comido muito

e não conseguia colocar pra fora.

Ela descascava, às vezes

como tinta de parede

e eu não tinha ideia de como isso acontecia.


Mamãe, um dia, me explicou

que aquela menina morava 

na dor.

Aquela menina desbotada,

que constantemente é mais desamor que amor

vive com flores mais não é flor.

Canta baixinho em noite de lua cheia

uma música que pouco conheço

mas que sei bem que fala

de um amor

(perdido, esquecido)

e solta água pelos olhos

como se fosse chuva.


Tadinha da moça, 

eu até peguei um lenço

mas ela se foi,

ela se foi.

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