Sobre álamos e saudade...





Às vezes um passo,
talvez dois ou três
embriagados, cambaleantes...

Um cigarro aceso
a neblina se misturando com a fumaça
a chuva caindo, o tempo... o álamo-branco, indo embora.

Você se afasta, cada vez mais, cada dia mais,
retrocede, se apaga aos poucos;
da memória.

Daria tudo agora, meu bem
para abafar o deletério
para lembrar como era seu toque.

Tuas flores murcharam no caminho,
tua carta se perdeu e virou espinho;
dentro do meu coração, que não se acalma com a ausência.

Se tu não és meu,
de quem é?
Se te quero e tu não és meu,
o que vou ter?

Quase outro hemisfério,
outro corpo para se deitar
outro amor para nutrir; e deixar.

Outra vez,
gira, gira, gira,
outra vez.

Cometendo pecados funestos
abandonando sanidade
trocando desapego por papéis de carta e selos.

Entristeci num dia desses
pois sob a cama não havia
nada além de uma carcaça...

A alma, eu sei
foi passear feito passarinho
voou lentamente, absorvendo a liberdade
 até tua rua, seja lá aonde for.

De mansinho passou pelo vão da janela
e passou a observar o grande motivo,
a utopia ligada por músculos e ossos, e órgãos e vida; minha.

Conformar a saudade
abater o desgaste
controlar o vazio
e esquentar o que está frio.

Talvez, desistir
mas não é tão fácil.

A solidão que enxergo todas as noites
a ausência de estrelas
e sua voz, ecoando
massacrando meu sistema de autocontrole
minha defesa e meu castelo...
(tu és meu cavalo de tróia)

Arde,
revivo minha urze recém aparada
cravam-me dentro,
por dentro, oco.

Minh'alma caminha junto a tua
dois pares de junquilhos
abnegando sua natureza
abusando da sorte alheia.

Tão longe, meu bem...
tão perto.
E o amor mais parece um deserto.

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