I'm a boat, sprung a leak...



Tanto se fez
Pôs-se a chorar
Convulsa, confusa, incógnita

Voltando, aparando
As urzes e os espinhos
Do peito tão machucado.

Dentro de um hediondo
Mundo, rodando
Embriagada da fumaça tóxica de sua própria dor.

Há de haver
Uma maquiagem que disfarce
Os pontapés e socos. Há de existir.
 
Postou-se num vazio inexistente
Imaterial, porém imanente
Como um híbrido descontente.

‘’Tudo vai ficar bem,
Meu bem. Há de ficar!
E tudo vai passar, querida. Vai passar!’’

O mar se rebelou
Matou todos os homens
Que nele velejou.

Foi ela,
Toda rasgada de desolação
Aquela do pobre casarão.

Rezou,
Pediu
Cansou.

Casou com o descaso
Foi morar no cansaço
Viveu do acaso.

(...)

O piano, obsoleto
Ainda toca sua triste melodia
No tardar da noite,

Um rosto pétreo, coberto de cinzas
Chora a dor dos melancólicos
Pífio aos olhos de todos
Claramente, é de se perguntar
O que fez tanto que no pesar,
Desfaleceu

Em linhas paralelas
Paralisou
Amorteceu.

Insone, beirou o precipício
Em um malévolo martírio inatingível

Permeou, mais uma vez,
Os caminhos contrários
De paradoxos encontrados, e jamais solucionados.

Tacou fogo nas cartas antigas
Escassas de afeição pressuposta;
O pranto foi prelúdio da morte.

Tão ilógico, entrou de peito aberto
e saiu sem nenhum vestígio de vida
Mais um morreu na triste esperança de um amor sem dor.

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