And feels like we only go backwards


Eu que tanto quero, e
nada tenho, caminho pela beirada
embriagada, cambaleante,
com um pé no vazio e outro em terra.

O fim me clama, como um pássaro engaiolado
pedindo para se libertar; da tortura, dos espaços,
da magoa, das fraturas expostas,
do azedume em meu âmago.

O peito desabitado, fatigado...
as costas curvadas, os olhos devastados
de tanto desaguar no abismo. E os braços cobertos,
para esconder as feridas abertas...
Eis minha postura de derrotista,
o martírio de quem segura o peso da dor,
do mundo nas costas... Sou Atlas!

O prelúdio do suicídio...
Lembro-me dos quarenta passando
pela minha garganta, preenchendo o ser
inóspito que sou. Do epitáfio...
Do gosto amargo na boca, da vontade excruciante
de ficar, viver. Vomitei meu sossego,
minha paz eterna.

Falhas imperdoáveis, promessas funestas
A sanidade já se foi há muito tempo
E é um grande equívoco tentar...
Erros, erros, tudo de novo
E você tampou meus olhos, me cegou.
Porquanto cá estou, amando o que não tenho e
nunca vou ter.

O corte da semana passada
ainda escorre pela borda.
E o amor, foi-se como os outros.
Porventura, acabou. Se dissipou.
Queimou feito vela, feito o Império Romano.

Um brinde a morte de tudo,
mais uma vez.

És feita de decepções, do abismo
que não tem fundo
pois o mundo
é tão hostil
para abrigar a solidão...

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