Ella II


Dar flores
das flores
sou flores
são flores
és flores
somos flores;
nós.

flor
só flor;
dor...
aço.

é flor
não é
talvez
se vier

é dor
não é
é dor
se não
vier.

você
minha flor
será sempre
meu amor.

(...)

Ô menina dos cabelos vermelhos
trançados e volumosos
no meu coração o tempo não passa
três anos quase, ah, parece que foi ontem mesmo
eu ainda não te deixei desbotar dentro de mim,
bailarina.

Meu peito arfa, às vezes
dói um tanto, às vezes
e o mar começa a escorrer
de dentro para fora.

Essa foto me dá vontade de te pegar no colo
e te ninar. Te cuidar.
Que boba,
ainda tenho esses impulsos.

Ah, minha menina
Queria afundar nos teus ombros,
nos teus cabelos e chorar o que não foi.
Olhar-te só mais uma vez,
pois olha, já vou me embora já já
e quero me maravilhar e derreter com teu olhar,
uma vez mais.

Ontem mesmo a Lua estava cheia,
e, ah, me preenchi de nostalgia
dos dias floridos, bailarina.
Ontem mesmo, a vi sentada
clamando minh'alma fatigada de dor.

Um sorriso melancólico pôs-se
a ocupar meu rosto.
E eu imaginei uma vez mais
como era estar no seu aconchego.

Mas vi teu sorriso e tudo se desfez.
Você entende como é se sentir um marshmallow?
Derreti foi por inteiro.

Ô minha menina de cabelos vermelhos,
tua alma caminha livre pelas cachoeiras

feito um pássaro, teus pés tocam
a relva lentamente em sua dança esplêndida
a natureza te chama, a beleza te cobre.

Dai-me sossego ao coração, bailarina
e me diga, estás sorrindo? Pois se
estiveres feliz, meu bem
irei em paz.

Talvez essas sejam as últimas
palavras que lhe direi,
o último poema que lhe escreverei
então saiba que o peito só de te ouvir
expande, grita, quer.


Ô minha menina,
eu costurei teu abismo
mas ele ainda tem frestas 
que se abrem em toda noite de lua cheia.

Venha cá, deixe eu pegar tuas mãos
e esquentá-las nas minhas. Deixe
eu visitar teu âmago, como tu visitas
o meu.

Pois esses podem ser
os últimos versos que farei,
e eu estou aqui divagando,
alucinando, abraçando
a saudade d'um corpo
que nunca me pertenceu.


Ô minha menina dos cabelos vermelhos
eu poderia enfeitar tua trança
com tulipas, assim como
teu coração.

Eu já vou-me embora, bailarina
o mundo não me abriga
o sono me embala, e
a foice é minha sina.

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