A pill to make you numb




As pílulas tão frágeis,
tão lindas e convidativas
estão sobre a cama
esperando, clamando.

Elas acariciam minha garganta.
Elas anestesiam minha dor:
essa tão grande que 
me mata por dentro...

Ah! As pílulas são dádivas,
são como água cristalina, puras
e me arrastam até o abismo
da eterna escuridão. 

Que essa vida não tem mais substância,
e as pílulas me convidam
e a dor se alastra
e as lágrimas viram mar. 

E os cortes são bem mais profundos do que os da semana passada
e dessa vez vai na vertical... Ah, sim! Na vertical, meu bem!
As cartelas e a navalha são minha salvação! A lâmina
beijando minha pele sensível, o prazer...

Ah! O último suspiro da eterna

alma martirizada pela solidão. 

Enquanto escrevo, do meu braço

escorre o suicídio. Eu sou feita
da morte. A morte é feita de mim.
A vontade de sair do receptáculo
não tem fim.

Oitenta são o suficiente? Cem?

Eu tomo quantas forem necessárias.
(Continua a escorrer)
Escrever uma despedida ou não?
Será que alguém vai se importar?

Espero que a emergência não chegue. 

Não chorem, eu já morri faz tempo.
Só meu corpo podre que está indo.  

Comentários

Postagens mais visitadas