Abril: Ruptura


Eu, tão complicada
eu, a inconstância
me vi pela primeira vez lúcida
enquanto tu deixava o nosso amor esparramar pelo chão
que milhares de pessoas iriam pisar.
(Ele rolou morro abaixo)

Eu, lá de cima,
esperando, sempre esperando.
Nossas vontades, nunca.
Minha vontade. Eu, sempre eu.

Eu, à sós
procurando sossego no mar agitado...
eu só queria segurar você em meus braços.

Os erros do passado
voltam a assombrar a alma.
A tulipa foi amassada.
Nossa dança estacionou.
Empacou. Ficou guardada na memória
de outro abril.

Eu, eu desviando o olhar
para o mar não transbordar
Eu, eu que tanto esperei.
Eu, eu, eu.

Nós não, nunca,
o abismo se abriu
e me engoliu.

Minh'alma ainda está
naquela escadaria da catedral,
na praça iluminada, no marco zero,
naquela sala de cinema,
no desejo de estender a mão
enquanto a luz estava apagada...
A tensão, o desejo ardendo como brasa
em minha pele sensível.

Foi só um descuido.
O amor, quando distante, nunca dura. Se dura,
nunca em dois. E eu, à sós,
com o coração partido
naquele mesmo festival
que só me trouxe desolação.

O adeus ainda está na garganta
as esperanças todas vãs,
a decepção de estar certa corroendo.

Nós estávamos no topo,
e eu cantava. Eu cantava porque esperava,
eu cantava porque só queria olhar.
Guardar detalhes. Guardar pra nunca esquecer.

Detalhes; a respiração pesada,
a mania de passar a mão no cabelo,
aquela voz, o sotaque,
o sorriso tímido, o jeito como segurava minhas mãos.
O jeito como analisava tudo ao redor.
O jeito que essa cidade te deprimia, mas mesmo
assim você sorria. O modo como me abraçava,
todo desajeitado.

Ou quando sentamos em um bar,
o som da risada, você sem jeito.
Você chamando meu nome.
E eu, dormente.
E eu, sorria até do tropeço.
Sorria porque esperava,
esperava porque pensava (Em nós)
Nós, não, nunca.

Teu medo também é o meu,
já passei por essas tempestades
mas arrumei um bote só pra atravessa-la por você,
mas você não embarcou...
Eu sempre. Sempre só.

Ontem mesmo, procurei-o
na multidão de rostos vazios
procurei pelos teus cachos, teu casaco marrom...
Eu sempre. Sempre só.

Me desculpe pela intensidade,
às vezes eu sou uma bomba
eu explodo. Com você,
eu explodo. Implodo.

Nós poderíamos correr de tudo isso,
como quando estávamos na plataforma do metrô
como se nada importasse,
como se as horas não estivessem passando e chegando
o momento de se partir...

Mas a ruptura já aconteceu
a partida súbita lateja
n'alma, no peito,
não há como voltar
os flashes de memória
se corroem. Assim como tua voz,
o encanto florescido dentro do peito,.
Ah! que triste o murchar do nosso amor...
O mel do seu nome já se extinguiu,
as sílabas já não são separadas,
e agora eu só caio de embriaguez.

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