Acabou sem ao menos começar
pensei ser o número par
e cá estou, esperando
na janela do terceiro andar
fitando a noite ir embora melancolicamente. 
Com o coração dormente.
Mas esperando o quê?

Meus olhos não têm fundo. 
Meu abismo te engoliu.
Nem a dor para me visitar, nem a dor
só o silêncio e os meus cigarros
amassados num cinzeiro...

Longe, vou na direção contrária
não mais remar contra a maré 
já tenho inconstância demais
pra um só coração.

Por quê me repele
como um inseto?
Agora o relógio já marca
o término, e é hora de minha partida.
Vou-me embora (de mim mesma),
talvez um dia eu volte.

E se um dia reconhecer teus olhos verdes
e tua barba vasta em uma multidão,
eu poderia lhe dizer mil coisas, meu amor, meu bem,
mas eu só te olharia como um
suicida olha para a navalha. 

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