II




Madrugada de fevereiro. 


Estática, pensamentos desconexos. 

Rostos psicodélicos.
Luzes, tantas luzes. 
Uma se torna três. 
O álcool, meu velho amigo...
Um copo atrás do outro.

Perdi-me entre a fumaça do terceiro

ou quarto Marlboro. Tornei-me 
o buraco negro, tragando tudo 
para dentro e depois
colocando o dedo na goela
para vomitar. 

Ah, eu não sei lidar, eu juro.

Me afundo no meu próprio vômito.
E meu vômito é de crises existenciais.
Sou tão funda
que não sei como não me afundar.
Eu não sei nadar em meio a tanta amargura. Não sei de mim, não
sei mais nada. Tanta incerteza me murchou.
O vazio não me largou desde o meu segundo suicídio precoce. 
A maquiagem derreteu
e as lágrimas
c
a
í
r
a
m.

Assim como eu caí,
e continuo
c
a
i
n
d
o.

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