Linhas paralelas



Eis o copo cheio e cigarros,
nossos lábios roxos de frio
e vinho. O olhar dissimulado 
sobre o meu, amedrontado. 

Às vezes tudo que consigo
assimilar é que em mim existe
um complexo quebra-cabeça 
de amores e desamores;
um retrocesso.

Eu sempre volto,
por amor ou embriaguez. 
Por descuido ou insensatez.
Eu sempre sou a primeira a ceder, mas agora fartei. 

Pois bem, meu peito
já carrega muito peso, 
as suturas e as amarguras,
o cinzeiro cheio e a garrafa de vodca.

Então, se porventura, quiseres entrar
na dança, ah! não tente manusear
e não brinque comigo.
sou uma bomba atômica, por isso
digo: não queira brincar comigo. 

A doçura amargou
o aço se soldou
o vazio me clamou
e eu fui.

Não mais camomila, 
agora aspargo. 
Meu desalento não é finito,
sedento é meu abismo 
que me suga até o último suspiro. 

Por isso digo: ai de ti!
Meu estômago não aguenta
mais uma desilusão. Não
mexe com meu coração, ah!
Não mexe não. 

Fartei de desencontros
mas te sentir é como 
rodopiar na corda bamba.
É como plantar uma semente de caos, 
devagarinho, na beira do abismo. 
Um desarranjo no jardim. 

Mas eu ainda nem sei quem és.
Teu rosto me é estranho
Por isso me resguardo,
pois quem irá lidar com o pranto
sou eu, e apenas eu.

Eu, você,
um vinho barato
lábios roxos
de desejo e frio
e ainda sim, estou
tão só em minha solidão
mesmo com você
segurando em minhas mãos. 

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