Retrato em branco e preto



''Meu corpo não consegue conceber que algumas ruas ou uma geografia qualquer nos separe.''

Combinamos tanto e você

nem se importa em enxergar.
Ah, amor meu,
somos números pares
que se encontram paralelamente
no espaço. 

Meu coração recentemente tem um desvio 
para você, e como um sonâmbulo
anda desorientado por ruas vazias
e avenidas, procurando e 
gritando pela outra metade... 

Meu corpo procura, clama,
o teu junto dele
dentro de mim é só morte
e minha solidão clama a tua.
Somos a solidão um do outro. Somos os átomos
da Terra. A explosão das estrelas; o choque e a colisão,
a lucidez e a inconstância. 

É tanto o desejo

De passar todas as noites de domingo
acariciando teus cabelos macios
e te contando as peripécias do meu dia
e suspirando, ah,
suspirando de ternura. 


Sou tão sua vez em quando
tu és tão meu vez em quando
tu és tão eu vez em quando
que eu nem sei quem sou às vezes.

Pudera eu, 
ser de aço
para aguentar os teus silêncios
e a distância...

Ah, tão forte 
e tão longe, 
tão perto-longe.

Escrito em meados de setembro do ano passado. 

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