Ódio e amor numa mesma oração


Refiro-me a ti nesses próximos versos,
menino dos olhos cor de corvo,
e lhe falo sobre a tenacidade nossa
de ir e voltar, desejar e odiar, 
como num ciclo vicioso eterno.

Sempre que nos vemos é uó

um quiproquó, um auê.
Nos hostilizamos ferozmente
só por prazer. 

Clamo por calmarias

e lá me vem você
com os olhos dissimulados
pedindo para me ver.

Ta aí o complexo do problema:

somos números ímpares,
e continuamos nesse impasse
de ódio e amor mútuo. 

Não sei se fico

ou se me vou.
E se eu for,
vou com lágrimas 
de saudade
e amargor. 

Comentários

Postagens mais visitadas