II



Cautelosamente
canto as mágoas
com um copo
cheio de angústias
e meio copo de
silêncio em mãos.

Esse canto meu

é silencioso
como um pio
bem baixinho
de um pássaro
que machucou
as asas em queda.

Pois tentou alçar

voo e inclinou
em direção ao chão
por não ter certeza...
por medo de mudanças
e experiências.

Ou foi só

o peso das palavras
nunca ditas
que ficam e grudam
no ser.

Foi isso e aquilo

foi tudo e nada
foi sim.
Foi tudo...
Eu acho.

Construí padrões

de teias dentro
do peito,
lá repousa o que corrói
se debatendo
em agonia eterna
como um inseto
preso em um pote de vidro,
preso pelo medo.

E continuo aqui,

estranhamente
acolhendo a solidão
com os olhos pincelados
de noites insones e
ressacas malignas
por não saber como parar.

Eu queria lhes dizer:

esse é o meu jeito
eu sou o meu coração
eu sou toda eu
eu sou toda coração
como diria Maiakóvski. 

Eu bebo a dor

eu fumo a dor
e nada me importa
quando estou assim.

Sou extrema

bebo extremamente
fumo extremamente
choro extremamente,
pois, aliás, 
a tristeza é extrema 
e intensa. 

Sou mansa,

mas feroz.
Vulcão
sempre
instável.

Os extremos são

meus e enfeitam
meu coração.
Me pintam de Pierrot
e deixam os roxos
das noites de embriaguez
expostos. 

Assim sou, 

esse é o meu jeito
eu bebo sim 
até me destruir
até afogar a tristeza
até vomitar as palavras. 

Esse é o meu jeito

até eu encontrar outro
até eu encontrar algo
até eu me encontrar.

Comentários

Postagens mais visitadas