(Novembro) Desfoque e maremoto



O mundo parecia desfocado
com sua palheta de cores sombrias
aconchegando a melancolia
de um dia fatídico de novembro.

Era um daqueles dias
que vazava desarmonia
parecido com o dia
do chão pintado pelo meu sangue.

Uma cerveja e um maço de Marlboro Light.
Lágrimas de rejeição;
o buraco cavado sem delongas
pelas palavras duras e sinceras.

A negação de perder
o que não era para ser.
Nunca foi,
jamais será.

Era como se
relampeasse
internamente
destruindo tudo lá dentro.

As luzes da praça, o chão encardido
e denso de tantas histórias.
A água salgada formando
poças de angústia.

O coração sangrando vazio
pelas beiradas, e depois
pelo meio;
o núcleo de tudo.

Uma cerveja,
um cigarro manchado,
mais um desamor de abril
para contar.

Coração seco,
aço imerso em
dor.

Não viu mais
depois daquele dia
o ator que
declarou-se.

Nem parecia real,
parecia mais
filme surrealista.

Uma moça de Chaplin
as flores improvisadas
a mesa aconchegada
os batuques sincronizados
por mentes girando
nesse caos
nesse caos
que é viver.

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