Quando a moça dos olhos mel atômicos e de cabelos de um tom acobreado passou pela porta, o metrô estava cheio... cheio de vazio. Era como estar alojado dentro do vácuo, com uma acústica pavorosa que abafava os gritos agudos que esfolavam a garganta, já seca de tanto álcool ingerido. Era como se banhar continuadamente no Estige, ou fazer o peito de cinzeiro.
Perdurou por todo o trajeto feito a vontade de correr e sumir, desaparecer e reaparecer diante dos trilhos. Tudo estava desabando, deslizando para uma única direção. Caindo lentamente num espiral de dor. 
E as lágrimas não paravam de cair sem consentimento pelo rosto abatido. 
Brevemente aconteceu o encontro dos olhares cansados pela noite insone e de embriaguez. Com os corpos tensos e desgastados afastados pelo magnetismo inverso que foi imposto por aquele estranho que tinha olhos castanhos, e não pretos feito um corvo como a moça poetizava em suas noites mais sombrias. 
Foi num dia de novembro, na estação Sé, às 5h da manhã. Que pareceu aquele dia do ônibus e dos sorrisos surpresos, como se fossem estranhos se olhando pela primeira vez. Mas os olhares já eram tão diferentes, carregados de ressentimento e confusão. De arrependimento, de arrependimento...

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