Os copos e os extremos

Copo cheio de mágoas,
transbordando poesia.
Corpo cheio de furos
expostos pela
fragilidade da insanidade
na pele.

Penso eu, assim sozinha,
debruçada na janela
do terceiro andar:
a vida é melhor quando
nada é mais importante
que o próximo copo.

Ondas furiosas e violentas...
o mar quase beirando tsunami
o cigarro entre os lábios entreabertos
queimando enquanto tudo gira
como um caleidoscópio
cheio de vida, cheio de cor.
'' É o último gole, eu juro'' eu disse
com coração cuspindo brasa
e anseios.

Mas a solidão é extrema,
a tristeza é extrema,
a vontade de não voltar
das aventuras com remédios
é extrema.

Então por que
não posso ser extrema
com a única coisa
que me faz esquecer
a minha condição?

Entendam que
vivo dentro de mim
e o mundo não me contempla.
O mundo é monótono
e me assusta.

Um gole só
não adianta
pra tamanha
aflição.

A agonia não vai passar.
Tua presença não vai
mudar porra nenhuma.
Minha cabeça vai continuar
rodando com palavras internalizadas.

Não quero jamais
voltar as amarras
da cautela extrema
por isso preciso da
minha pinga.

Me deixa só
por um momentin,
deixa eu.
Fala não, julga não.

Eu só não quero continuar
entediada
e sóbria
e sem graça
com essa vida medíocre.

É o meu jeito
eu já disse, e vou dizer novamente:
até eu encontrar outro
até eu encontrar algo
até eu me encontrar.

Até voltar a se recompor
o jardim florido
que já foi meu peito.

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