Voz que foi silenciada

Às 4h da manhã meu corpo tinha cãibras
de tentar me enroscar em você
por causa do frio da madrugada. 
Só precisava esconder qualquer coisa
que fosse numa fumaça de cigarro
e parar de olhar pra o seu semblante
tão calmo, enquanto tudo
dentro de mim ruía.

Por isso andei em direção a porta
e fui pro lugar onde tudo já tinha caído:
as paredes, as janelas e o teto.
acho que queria encontrar algo
que representasse minha destruição. 
Acho que queria ser a madeira
que a fogueira queimava.

Queria simplesmente esquecer
e ignorar meu cérebro
que ainda girava
que não entendia
que não conseguia assimilar
o sangue já seco pela perna. 

Enquanto tudo doía,
enquanto tudo girava,
enquanto o cérebro não funcionava...
''Não conte para ninguém!''

A voz foi silenciada
os gritos permaneceram
ecoando naquelas paredes brancas
e cruéis, que presenciaram
nos meus olhos
o completo e infinito vazio.

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