O corpo violado de Agosto, o corvo-humano e o sangue que ainda escorre

O sangue ainda não estancou dentro da alma, já tão cansada
de ser machucada e de tentar se recompor.
Ele ainda escorre; vermelho escarlate.
Escorre pois criou raízes tão densas dentro do peito
de uma forma tão violenta, imperdoável e sedenta.
Esse peito tão frágil que você tratou com tanto desrespeito.

(Você, cínico dos olhos ora uma cor,
ora outra, que tem olhos de corvo
e de casco de árvore). 

É tão frio e dissimulado,
tão patético e tão contraditório em suas próprias palavras.
Ah, mas sua postura é tão revolucionária
que daria asco aos grandes pensadores.
Seu corpo é apenas um exoesqueleto oco,
assim como sua alma tão desprovida
de algum sentimento bom.

Ah, corvo tolo, sua odisséia de manipulação já durou demais.
Os abusos que passaram impunes, os choros abafados,
as mentes que caíram num espiral de silenciamento.
Basta!
Como disse desde o póstumo começo:
não brinque com o meu coração.
E você brincou... cruelmente, pisou.
Psicologicamente violou: meu corpo, minha vida,
minha mente ferida.
Mas agora basta!

Por um longo ano carregando entre as entranhas,
bem entre o ventre, sua voz que sussurrava, mas não me encontrava,
pois eu não estava ali conscientemente.
Suas mentiras bem guardadas graças ao terrorismo psicológico
que você manejava tão bem.

As chamas da sala demolida, os entulhos da cozinha encardida,
o sapato social preto, a vodca barata misturada em um recipiente
da sua coleção de lembranças.
A meia 7| 8 manchada de sangue.
A luz fluorescente incomodando a retina. a cena do crime;
o cenário da destruição na festa da demolição.

Meus olhos ardem com lágrimas que vão me acompanhar
a vida inteira. Meu coração grita, pois
tem um ódio extremo que deseja saciar.
Minha risada se faz irônica ao perceber que você acha
que o tiro dado se enfeita com flores e com suas desculpas
incabíveis e passivo-agressivas.
Essa voz que antes era tão falha,
tão frágil, tão acanhada,
não se calará.
Nunca mais se calará.

Desejo-te o fogo interno, o abandono e a eterna solidão,
uma pira bem no meio de seu coração.
Assim seja, assim será.

Um dia borboleta serei.
um dia, espero, irei sair do casulo
tão bem feito que é o trauma
e nunca mais lembrar
de como é sua presença
tão tóxica quanto uma bomba nuclear.
(Não lembrar o quão nocivo é ter você por perto,
não lembrar o quão doloroso foi quando
tive meus órgãos devorados dia após dia, como Prometeu,
por um corvo que se passava por humano). 

Um dia todo esse sangue estancará...

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