Assimetria

As raízes que nos enlaçavam
não eram tão resistentes quanto pensava.
Não eram sólidas e firmes
como o amor que eu, sozinha,
carregava. 

Oh, grande Deusa do Egocentrismo,
erroneamente pensei que éramos
algo mais, algo autêntico, 
puramente genuíno. 

Descendo a rua-submundo,
no antro da superficialidade,
da degeneração, das certezas embriagadas,
da vontade juvenil e excruciante
de preencher o vazio existencial
com uma madrugada indecente regada a álcool,
a encontrei. 

As raízes que nos enlaçavam eram
feitas do plástico mais abjeto. 
Seu sorriso triste era tão 
vazio quanto o olhar que demos
naquela noite. Sábado passado. 

Na rua-submundo,
enfim, percebi a causa mortis: 
a assimetria dos sentimentos,
a falsa intensidade e, por fim, 
o fantasma que sempre esteve
nos rondando, esperando
a oportunidade para o golpe final.

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