8 e 80, 8 ou 80, 80 ou 80, 80 e 80

O peso que é ser uma contradição, de sentir e não sentir, de se culpar e de estar pouco se importando ao mesmo tempo. O peso da responsabilidade quando a irresponsabilidade ronda como um abutre em cima da minha cabeça, tão tentadora. A vergonha de sentir, o ódio por não ter.  
O peso da realidade, o gosto amargo das dores que eu não consigo afundar com o álcool; elas desafiam as leis da gravidade e boiam 
A inveja do que nunca será que corrói. A impulsividade exagerada. A histeria por ter tanto a dizer e nunca dizer o suficiente, e nem saber como dizer. Um redemoinho de palavras que nunca para de girar.  Os impulsos destrutivos, a falta de orgulho e auto estima. A perda do controle, o 8 ou 80. A capacidade infeliz de transformar algo singelo, em algo caótico, complexo e extremamente difícil de lidar.  
Ás vezes eu daria tudo pela normalidade, de respirar sem sentir tudo rasgando por dentro.  De me livrar das oscilações, das paranoias, das crises de ansiedade devido a imensa pilha de incertezasDa intensidade que me desgasta, oxida. De criar realidades alternativas e misturar tudo com o que é real; a falta de distinção do que é real e o que é irreal. De viver em uma corda bamba tão tênue, oscilando entre a sanidade e a insanidade, a psicose e a neurose. Ser insana quando sou sã, ser sã quando sou insana. Neurótica maldita.  
Culpo as pessoas por ser incompreendida, mas nem mesmo eu me compreendo; um eterno enigma incompreensível. Sou, e sempre serei um vulcão instável. Sinto tanta coisa ao mesmo tempo que é impossível não explodir, e minha lava é mais quente que qualquer vulcão. Ela destrói tudo e afasta todos. Ebom, as partidas nunca me farão bem, sejam elas reais ou imaginárias. 
Minha culpa é sentir demais e meu destino já foi traçado há três anos quando eu engoli todas aquelas pílulas. Só estou retardando o inevitável. Eu nunca disse que era forte, e já estou cansada de todas essas tentativas falhas. Eu odeio o que eu sou, e ao mesmo tempo não ligo. Eu odeio a parte que não liga, mas ao mesmo tempo queria sentir só ela.  
Sou tudo e nada, tudo ou nada. 8 e 80, 8 ou 80, 80 ou 80, 80 e 80.  
(Tão equivocada quanto ele, que me disseca e depois vai embora sem se importar, tão egoísta quanto. Mas abafo na alma, tento esconder e como tudo que sinto, me faz mal esconder e me fará mal se eu mostrar. Eu sou tão ele que dói e nós já estamos tão confusos nas nossas certezas).

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