Poema I: A silhueta e a luz interior

Lembro-me bem, com uma pontada no peito dolorosa,
quando minha luz era tamanha que irradiava
e iluminava sua silhueta no meio das luzes coloridas
que não iluminavam realmente a sua profundidade.
As luzes coloridas não se comparavam ao preto de sua silhueta.
O curioso é que você não tinha nada de monocromático, enquanto
todo o resto era: um manual tão básico de ler.
Sua silhueta me chamava para mergulhar dentro,
conhecer seu coração de ouro.
Na escuridão colorida de luzes variadas
o preto de sua silhueta era apenas o que eu queria ver.
Sua silhueta é como uma obra de arte incompreendida
em meio a tantas pessoas que querem apenas o óbvio,
o familiar e careta. A piscina em vez do mar.
E eu sei, eu sei que não deveria te amar
mas sem consentimento meu coração
ainda canta nossa música com a mesma ferocidade.

Esse meu coração, ah, meu bem, ele nunca será iceberg,

ele é um vulcão em plena atividade
mas as circunstâncias pedem
um disfarce, um disfarce parecido com um jogo.
Mas, meu bem, eu já estou farta desse jogo.
A incerteza me cansa. Está me deixando
cada vez mais fatigada de ficar inerte
nesse jogo de adivinhação.

E agora minha luz se extinguiu,
agora sua luz interior não me alcança
tamanho os quilômetros de distância
e sua silhueta iluminada pela minha luz interior
ainda me visita em sonhos nessas noites melancólicas de Setembro.

Comentários

Postagens mais visitadas