Miss Atomic Bomb: do carvão ao fogo

Continuou dançando a dança da luxúria, 
com sua saia de rosas já tão desgastada pelo tempo
esperando a Primavera vir para tudo florescer novamente
e dessa vez girava como um compasso ao som de Billie Holiday,
a ponta afiada apontava para a extremidade sul do recinto
onde se encontrava o espectro do arrependimento. 
Os cabelos, antes ruivos, como uma chama sempre ardente
se tornaram pretos feito carvão de tanto queimar.
As explosões não são tão mais bonitas como antes, não é mesmo?
Não quando elas dizimam tantos corações tolos, inclusive o da própria.
O coração continua sendo tendo a imensidão de uma galáxia,
mas nada está em seu devido lugar.
Um dia dura um ano.
O ímpeto continua, mas tão cabisbaixo...
antes como um furacão ela girava
atraindo a atenção de todos
personificando um desastre natural
tão belo e de alta periculosidade.
Restou só os pedaços se desintegrando,
o carvão começa a dar lugar as cinzas
e das cinzas renasceu
tão bela e esplêndida; a fênix.
queimando uma vez mais
com seus cabelos de fogo
e seu coração atômico
pronto para colocar outro
disco na vitrola, abrir um sorriso
e continuar a arrancar suspiros por onde passa
erguendo os braços como se tocasse nas notas da música
e transcendendo a matéria e as leis da física.
Encarando assim sua persona de femme fetale
novamente. Uma mistura balanceada de doçura e ferocidade.
Espalhando o cheiro de rosas pelos
cantos que o mofo impregna o ar
com movimentos suaves, ora sincronizados,
ora dessincronizados

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