Internamente (a)mar

Andou devaneando sobre o infinito, uma vez mais
Acordada sonhou com encontrar o infinito dentro
daquela silhueta sombria e funda como o oceano
que há tempos não contempla.
Devaneios de explorar tudo que ainda não foi visto; os corais
mais bonitos e coloridos, os espécimes dos mais raros peixes, os
souveniers deixados por outras pessoas que jazem nas areias do fundo.
O que foi imerso e engolido e se afundou aos poucos, e hoje recebe
expedições de escavação a cada crise existencial, mas sem sucesso,
apenas com a certeza que está lá pois envia ondas sonoras com seu sonar
esperando ser descoberto, desenterrado, compreendido.

Monólogo das 01h43 durante os devaneios:

''Eu só queria sentir sua imensidão com um abraço, e todas as minhas lágrimas
que escaparam do meu mar interno queriam desaguar no seu mar interno.
Você sempre soube a minha imensidão, e que não sou um alguém
que admira, ao longe, na costa. O superficial nunca me satisfez.
Eu queria sentir suas ondas quebrando na minha pele,
mergulhar onde jamais ninguém mergulhou ou teve a audácia ou o interesse de mergulhar,
conhecer os sentimentos pré-históricos afundados pela pós-modernidade líquida
em seu âmago, tão fundo, tão fundo, que nem você consegue mais achar
e tudo se perde no barulho exterior que você se esconde e na sujeira boiando na superfície. 
Quero me perder em você, em suas águas densas e profundas, apenas uma vez
e fazer de mim imortal para assim você jamais me esquecer''.

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